O sistema de cotas no Brasil
Ninguém educa ninguém; ninguém educa a si mesmo; os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo". ( Paulo Freire
No trato das coisas de nossa vida, muitas e muitas vezes somos chamados a aceitar e participar de um conjunto de idéias, a fim de podermos, por meio da tolerância, procurar o bem comum de uma coletividade. Fato concreto, porém, é que isso somente se refere a uma coletividade. E não à coletividade. E isso faz uma grande diferença. Carlos Drummond de Andrade escreveu que "a verdade é vista sempre conforme nossos caprichos, ilusões e miopias". Podemos perceber a veracidade das palavras nesse enorme embate travado nas discussões sobre o sistema de cotas no Brasil. Cria-se cotas para tudo. Em pauta prioritária, as 50% das vagas em universidades públicas e gratuitas que deverão ser destinadas aos alunos advindos de instituições também públicas de ensino, tendo o ENEM como a única pré-seleção, está dando o que falar. Fora a oposição às 20% reservadas aos negros e mais algumas insignificantes aos índios. Por que essas cotas são necessárias? Qual a diferença entre um negro, um branco ou um pobre? Não somos todos iguais? É claro que não! Chega da imbecilidade de acreditarmos nisso. É preciso aceitar a realidade e lutar! As cotas para pobres, negros e índios são impregnadas de conceitos de hipossuficiência material e intelectual. Além do mais, não há como se falar em reserva de vagas em uma sociedade multiétnica como a brasileira, se a educação a todos pode preparar de modo equivalente. Além disso, de nada adianta criar cotas se não há cotas no mercado de trabalho. Prova disso, uma pesquisa recente mostrou que 90% dos recém-formados não estão esperançosos quando a uma colocação de sucesso. Claro, hipótese descartada quando se tem QI (Quem Indica).
Outro agravante ao qual devemos voltar nossos olhos: o jovem brasileiro está conformado com a pobreza material e intelectual. E aí é que mora o perigo. Há um contingente enorme desses que apenas querem uma vida fácil, isto é, sem que precisem enfrentar qualquer desafio. Os pais desses elementos o formam com base em conceitos universais, derivados de sua compreensão da natureza humana. Assim, famílias diferentes cultivam diferentes visões de mundo. Eis o perigo: que visão de mundo terá um indivíduo desses? Muitas vezes, as únicas visões de mundo que têm são adquiridas nas suas "baladas". E ensinamentos provenientes dessas "instituições" e suas correlatas "visões de mundo", o país dispensa. Um jovem dessa estirpe, ao adentrar numa instituição tradicional por meio das cotas, em tempo, a única maneira pela qual ele é tolerado, apenas contribuirá, e muito, para a má qualidade do ensino superior. O leitor deve perguntar-se: - Mas como? E explico-me.
Nas universidades públicas realmente existe uma elite. São alunos abonados, que freqüentam as melhores escolas de nível Médio e sofisticados cursos pré-vestibulares. Estão lá porque aprenderam algo. E há um interesse por parte do governo e de instituições privadas em oferecer-lhes um ensino de qualidade. São obrigados de certa forma. Quando programas tentam promover uma inclusão educacional, a exemplo do FIES, geralmente são beneficiados quem menos precisa, pois, burlam o processo burocrático. A instituição finge que nada sabe. E isso é natural em se tratando do bem estar desta elite.
Aos alunos de baixa renda, restam instituições particulares, de fácil acesso, onerosas e, em parte, excludentes.
Para os "baladeiros" sem interesse, nada mais justo que isso. Agora, para os justos e batalhadores, é realmente uma sentença que carregam. Pagam pelo joio que aí está. E ainda devem agradecer, afinal, se na universidade pública estivesse apenas os pobres, por que investir? A prova é está no Ensino Médio e Fundamental. Uma sucata! Em parte, é o fruto de descaso do jovem pela batalha em prol de uma revolução em nosso ensino. Realmente há a necessidade de se buscar novos valores e idéias para a consecução de uma nova elite. Não sua exterminação, como querem muitos. Esta, condigna com a realidade atual. Uma realidade onde nosso maior tesouro é o saber. A ignorância não é mais tolerada, afinal, levou países à guerras civis cruéis, à fome e à seca, à submissão das minorias e outras tantas mazelas. A verdadeira luta pelo ideal comum de bem servir faz com que sejamos humildes em reconhecer nossos defeitos e possamos aceitar os alheios. Portanto, é uma opinião minha. Acredito que o ensino Fundamental e Médio é que deveria permitir que todos tivessem as mesmas condições para disputar as vagas, neutralizando diferenças raciais e limitações impostas pelas questões sócio-econômicas. Se forem índios, negros, japoneses, italianos, portugueses ou alemães, pouco importa. É preciso um planejamento para assegurar qualidade na educação e para viabilizar preparo adequado e suficiente, afim de que os jovens reconheçam sua própria identidade social a partir da vocação para o trabalho instrumentalizada pela universidade. A defesa das cotas é a negação da capacidade do indivíduo. Sua discussão pode suscitar novas reflexões: cotas não são problemas de princípios e valores, mas sim, de recursos materiais e de investimentos. Com os meios adequados à realidade, a disputa para uma vaga na universidade se revelará uma verdadeira conquista de preparo individual. O fator pobreza não deve servir como pretexto para não sermos verdadeiros mestres. É preciso garra, objetivo real, trabalho, almejar um sonho maior...enfim, construir o seu próprio caminho, transpor obstáculos e alcançar seus próprios vôos. Voar solitário. Chegará o momento em que o jovem sentirá lentamente que a agonia vai chegando. E como um pássaro negro, esfomeado, esperará pelo último suspiro de sua vítima, para dar fim ao PERDEDOR. Mas, o jovem deve despertar a consciência. Seu coração não deve mais existir. Apenas mantida ainda a solidão de uma vida que já não é mais vida. Então, a ave de rapina desiste e ele é um VENCEDOR.
É preciso acordar para o fato de que estamos em uma sociedade odiosa e individualista. Onde o homem é o lobo do próprio homem. Aceitar que o homem é, se faz e se constrói, sozinho. Claro, ouço puritanos a dizer que isso nada mais é do que neuroses e psicoses minhas. Pode até ser. Aliás, ficaria feliz se fosse. Mas, não! É apenas um olhar verdadeiramente fixo na realidade, sem sentimentalismo algum. O homem é o grande sujeito e a natureza, infelizmente, o grande objeto a ser transformado a bel-prazer. Isso é realidade. É preciso saber pensar por si próprio. Conhecimento é obra de reconstrução permanente. Aprender a saber pensar. Fazer história. E o professor é um libertador. A liberdade é a única condição de organização social capaz de cumprir os objetivos de: respeito ao ser humano, o desenvolvimento das potencialidades individuais, a prosperidade material e a justiça social. O poder e a riqueza das nações estão, portanto, no conhecimento. Vivemos sob o império da mente. Já prognosticara Winston Churchil. No que se refere ao compromisso sério com o saber, a universidade pública é imbatível. E continua sendo o melhor mecanismo de ascensão social no Brasil. Não são mais procuradas porque são gratuitas, mas sim, porque credenciam o aluno, além da avaliação ser realizada de maneira adequada: pelo seu conhecimento, sem importar-se com seu talão de cheque. É necessário ir na raiz do problema. Compensar as vulnerabilidades. Promover uma formação contínua à todos os educadores. Valorizar sua classe, com melhores salários e respeito ao trabalho desenvolvido. Em São Paulo, para ficar num exemplo, o governo do estado ao invés de assegurar vagas, criou cursinhos especiais para uma melhor preparação e capacidade de concorrer nos vestibulares existentes. Os próprios universitários são os professores. Essa é a única maneira de podermos pensar em mudar o ensino do Brasil. Também é necessário que impere uma democracia participativa. Para isso, ela precisa estar em constante renovações, aberta a todas as sugestões construtivas e deve, acima de tudo, exercer uma severa autocrítica. Sem isso, ela nada mais é do que uma "democracia falaciosa", e cai no burocratismo e estagnação.
Ninguém educa ninguém; ninguém educa a si mesmo; os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo". ( Paulo Freire)
No trato das coisas de nossa vida, muitas e muitas vezes somos chamados a aceitar e participar de um conjunto de idéias, a fim de podermos, por meio da tolerância, procurar o bem comum de uma coletividade. Fato concreto, porém, é que isso somente se refere a uma coletividade. E não à coletividade. E isso faz uma grande diferença. Carlos Drummond de Andrade escreveu que "a verdade é vista sempre conforme nossos caprichos, ilusões e miopias". Podemos perceber a veracidade das palavras nesse enorme embate travado nas discussões sobre o sistema de cotas no Brasil. Cria-se cotas para tudo. Em pauta prioritária, as 50% das vagas em universidades públicas e gratuitas que deverão ser destinadas aos alunos advindos de instituições também públicas de ensino, tendo o ENEM como a única pré-seleção, está dando o que falar. Fora a oposição às 20% reservadas aos negros e mais algumas insignificantes aos índios. Por que essas cotas são necessárias? Qual a diferença entre um negro, um branco ou um pobre? Não somos todos iguais? É claro que não! Chega da imbecilidade de acreditarmos nisso. É preciso aceitar a realidade e lutar! As cotas para pobres, negros e índios são impregnadas de conceitos de hipossuficiência material e intelectual. Além do mais, não há como se falar em reserva de vagas em uma sociedade multiétnica como a brasileira, se a educação a todos pode preparar de modo equivalente. Além disso, de nada adianta criar cotas se não há cotas no mercado de trabalho. Prova disso, uma pesquisa recente mostrou que 90% dos recém-formados não estão esperançosos quando a uma colocação de sucesso. Claro, hipótese descartada quando se tem QI (Quem Indica).
Outro agravante ao qual devemos voltar nossos olhos: o jovem brasileiro está conformado com a pobreza material e intelectual. E aí é que mora o perigo. Há um contingente enorme desses que apenas querem uma vida fácil, isto é, sem que precisem enfrentar qualquer desafio. Os pais desses elementos o formam com base em conceitos universais, derivados de sua compreensão da natureza humana. Assim, famílias diferentes cultivam diferentes visões de mundo. Eis o perigo: que visão de mundo terá um indivíduo desses? Muitas vezes, as únicas visões de mundo que têm são adquiridas nas suas "baladas". E ensinamentos provenientes dessas "instituições" e suas correlatas "visões de mundo", o país dispensa. Um jovem dessa estirpe, ao adentrar numa instituição tradicional por meio das cotas, em tempo, a única maneira pela qual ele é tolerado, apenas contribuirá, e muito, para a má qualidade do ensino superior. O leitor deve perguntar-se: - Mas como? E explico-me.
Nas universidades públicas realmente existe uma elite. São alunos abonados, que freqüentam as melhores escolas de nível Médio e sofisticados cursos pré-vestibulares. Estão lá porque aprenderam algo. E há um interesse por parte do governo e de instituições privadas em oferecer-lhes um ensino de qualidade. São obrigados de certa forma. Quando programas tentam promover uma inclusão educacional, a exemplo do FIES, geralmente são beneficiados quem menos precisa, pois, burlam o processo burocrático. A instituição finge que nada sabe. E isso é natural em se tratando do bem estar desta elite.
Aos alunos de baixa renda, restam instituições particulares, de fácil acesso, onerosas e, em parte, excludentes.
Para os "baladeiros" sem interesse, nada mais justo que isso. Agora, para os justos e batalhadores, é realmente uma sentença que carregam. Pagam pelo joio que aí está. E ainda devem agradecer, afinal, se na universidade pública estivesse apenas os pobres, por que investir? A prova é está no Ensino Médio e Fundamental. Uma sucata! Em parte, é o fruto de descaso do jovem pela batalha em prol de uma revolução em nosso ensino. Realmente há a necessidade de se buscar novos valores e idéias para a consecução de uma nova elite. Não sua exterminação, como querem muitos. Esta, condigna com a realidade atual. Uma realidade onde nosso maior tesouro é o saber. A ignorância não é mais tolerada, afinal, levou países à guerras civis cruéis, à fome e à seca, à submissão das minorias e outras tantas mazelas. A verdadeira luta pelo ideal comum de bem servir faz com que sejamos humildes em reconhecer nossos defeitos e possamos aceitar os alheios. Portanto, é uma opinião minha. Acredito que o ensino Fundamental e Médio é que deveria permitir que todos tivessem as mesmas condições para disputar as vagas, neutralizando diferenças raciais e limitações impostas pelas questões sócio-econômicas. Se forem índios, negros, japoneses, italianos, portugueses ou alemães, pouco importa. É preciso um planejamento para assegurar qualidade na educação e para viabilizar preparo adequado e suficiente, afim de que os jovens reconheçam sua própria identidade social a partir da vocação para o trabalho instrumentalizada pela universidade. A defesa das cotas é a negação da capacidade do indivíduo. Sua discussão pode suscitar novas reflexões: cotas não são problemas de princípios e valores, mas sim, de recursos materiais e de investimentos. Com os meios adequados à realidade, a disputa para uma vaga na universidade se revelará uma verdadeira conquista de preparo individual. O fator pobreza não deve servir como pretexto para não sermos verdadeiros mestres. É preciso garra, objetivo real, trabalho, almejar um sonho maior...enfim, construir o seu próprio caminho, transpor obstáculos e alcançar seus próprios vôos. Voar solitário. Chegará o momento em que o jovem sentirá lentamente que a agonia vai chegando. E como um pássaro negro, esfomeado, esperará pelo último suspiro de sua vítima, para dar fim ao PERDEDOR. Mas, o jovem deve despertar a consciência. Seu coração não deve mais existir. Apenas mantida ainda a solidão de uma vida que já não é mais vida. Então, a ave de rapina desiste e ele é um VENCEDOR.
É preciso acordar para o fato de que estamos em uma sociedade odiosa e individualista. Onde o homem é o lobo do próprio homem. Aceitar que o homem é, se faz e se constrói, sozinho. Claro, ouço puritanos a dizer que isso nada mais é do que neuroses e psicoses minhas. Pode até ser. Aliás, ficaria feliz se fosse. Mas, não! É apenas um olhar verdadeiramente fixo na realidade, sem sentimentalismo algum. O homem é o grande sujeito e a natureza, infelizmente, o grande objeto a ser transformado a bel-prazer. Isso é realidade. É preciso saber pensar por si próprio. Conhecimento é obra de reconstrução permanente. Aprender a saber pensar. Fazer história. E o professor é um libertador. A liberdade é a única condição de organização social capaz de cumprir os objetivos de: respeito ao ser humano, o desenvolvimento das potencialidades individuais, a prosperidade material e a justiça social. O poder e a riqueza das nações estão, portanto, no conhecimento. Vivemos sob o império da mente. Já prognosticara Winston Churchil. No que se refere ao compromisso sério com o saber, a universidade pública é imbatível. E continua sendo o melhor mecanismo de ascensão social no Brasil. Não são mais procuradas porque são gratuitas, mas sim, porque credenciam o aluno, além da avaliação ser realizada de maneira adequada: pelo seu conhecimento, sem importar-se com seu talão de cheque. É necessário ir na raiz do problema. Compensar as vulnerabilidades. Promover uma formação contínua à todos os educadores. Valorizar sua classe, com melhores salários e respeito ao trabalho desenvolvido. Em São Paulo, para ficar num exemplo, o governo do estado ao invés de assegurar vagas, criou cursinhos especiais para uma melhor preparação e capacidade de concorrer nos vestibulares existentes. Os próprios universitários são os professores. Essa é a única maneira de podermos pensar em mudar o ensino do Brasil. Também é necessário que impere uma democracia participativa. Para isso, ela precisa estar em constante renovações, aberta a todas as sugestões construtivas e deve, acima de tudo, exercer uma severa autocrítica. Sem isso, ela nada mais é do que uma "democracia falaciosa", e cai no burocratismo e estagnação.
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