16 novembro, 2010

HITLER também merece uma homenagem

Ninguém deveria abrir mão de uma boa reflexão, a partir de todos os contraditórios possíveis, antes de tomar uma decisão relevante. Esgotar uma discussão até as últimas conseqüências traz um verdadeiro acréscimo de sabedoria ao ser humano, além de impedi-lo de cair em erros irremediáveis. E foi o que fiz. Concentrei todos os esforços para que provas pudessem dar fim ao dilema para a escolha de um melhor título para este escrito.Não deu! É difícil, reconheço, uma vez que estou a tratar de um dos maiores terroristas da história: Ronald Reagan. Estou consolado. É o bastante. Justifica-se aí a demora na conclusão deste trabalho.As condolências pela morte do ex-presidente Ronald Reagan chegaram de todas as partes do mundo, enquanto seus compatriotas lamentavam a perda do líder "carismático e pacifista" que governou os EUA de 1981 a 1989. A imprensa deu conta de várias matérias especiais, sempre mostrando seus "grandes feitos". Teve um funeral de Estado na Catedral Nacional de Washington. Depois de dois dias seguiu para o Capitólio e, para encerrar, foi enterrado, em uma cerimônia privada. Eis uma dúvida que em mim perpetua: Por que todo mundo fica "bonzinho" quando morre? Um verdadeiro pacifista. Ora, pois, não me façam rir. O momento de passagem de uma pessoa, claro, é cercado de muita comoção. A dor da perda é capaz de nos tirar da razão e nos levar a um estado de abalo emocional exagerado. Não aconteceu comigo, mas aconteceu com o mundo. Aliás, também não consigo entender como pode a morte simplesmente apagar todos os erros cometidos durante toda a vida de um cidadão? Os "Grandes feitos" de Reagan ganharam um destaque impar: · Promoveu uma espécie de auto-ajuda para recuperar a moral do país, ferida no escândalo Watergate e na derrota no Vietnã; · Rotulou-se o herói que derrotou a URSS pondo fim à Guerra Fria; · Imaginou a "Guerra nas Estrelas", onde um escudo protegeria os EUA contra possíveis ataques nucleares; · Denominou-se, também, o herói que acabou com o Comunismo. Quanto aos seus DEFEITOS, poucos sabem que: · Quanto a Guerra nas Estrelas, fortaleceu o Sistema de tal forma, com a incorporação das últimas novidades tecnológicas existentes no arsenal militar, que repercutiu como uma bomba na URSS, e como conseqüência, sozinho, quase promoveu a destruição do Planeta; · Quanto ao fim do Comunismo, vários historiadores não se cansam de dizer que não escaparia ao destino de tornar-se apenas um arquivo na história. E isso se daria com a presença de qualquer presidente anticomunista ocupando a Casa Branca; · Patrocinou a rede Al Qaeda para enfrentar os soviéticos (aos quais denominava ser um Império do Mal); · Atacou a Nicarágua, assassinando dezenas de milhares de civis. O país, de tão pequeno, sofreu um golpe tão covarde que até hoje sofre com a devastação causada pelos EUA. Soma-se esses milhares de mortos e mais os soviéticos abatidos, e verás, caro leitor, que ultrapassará as baixas causadas pelo nazismo. E ainda condenam Hitler como um terrorista! Sempre existiu nos EUA uma cultura racista e xenófoba. Eles não suportam cubanos, mexicanos e árabes. Aliás, esses últimos são todos considerados terroristas, na visão deles. Como exemplo, veja-se o apoio dado pela maioria esmagadora do povo norte-americano à Guerra no Iraque: 80% da população posicionou-se favorável àquela loucura. Acreditam que os imigrantes podem tirar seus empregos e contaminar aquela "maravilhosa" cultura. Na verdade, é a mesma pregação feita pelos arianos. E dessa vez, seus campos de concentração estão em Guantânamo. Mas, deveriam saber que estão enganados se acham que todos os povos querem copiar suas instituições! Ronald Reagan morreu no dia 05 de junho, aos 93 anos. Isso após dez anos sofrendo do Mal de Alzheimer. Acredito, sinceramente, foi uma parte, a mais branda, do castigo que deveria merecer enquanto vivo. Se morresse na terça, dia 08, não sei se Eu estaria vivo. Pois, haveria dupla comemoração: a morte deste terrorista e o meu aniversário. Vai ver não mereço tanta felicidade! Os jornais de Cuba deram ênfase num editorial intitulado: "Morreu quem não deveria ter nascido". É pena que não sou o editor, caso contrário, seria: "Morreu tarde, quem não deveria ter nascido". O Serviço Postal americano anunciou que vai emitir um selo em homenagem a Reagan. Mas, se ele ganhará o direito de ter sua carcaça estampada em um selo nos EUA, Adolf Hitler também mereceria semelhante homenagem. Não nos EUA, seu inimigo, mas deveria ser adotado como o ÚNICO sele existente na Alemanha. Isso tudo, pelo simples fato de que ele não foi um covarde. Enquanto que o outro sim. Hitler, como escreveu Walter Benjamin, "tinha uma combinação quase exemplar de todas as angústias, sentimentos de contestação e esperanças de seu tempo; tudo isso, na verdade, em demasia, desvirtuado e apresentando alguns traços fora do comum, mas sempre demonstrando relacionamento e compatibilidade com o background histórico". O nazismo é duramente criticado pelos ditos puritanos. Já se escreveram livros, artigos, crônicas; fizeram filmes e peças de teatro "demonizando" Adolf Hitler. Apenas conseguem ver a crueldade e a desfaçatez daquele regime totalitário. No entanto, basta induzi-los, a esses mesmos puritanos, para que leiam Mein Kampf, a fim de entenderem melhor o porquê de todas as atrocidades cometidas, para que o condenem também. Dizem estar diante de um neonazista. É fato consumado que os filhos de Israel foram perseguidos com maior sagacidade do que os negros, eslavos ou maçons. Mas, em Mein Kampf, Hitler explica: "Os alemães perderam a I Grande Guerra, estavam arrasados. Engenheiros, médicos e milhares de pessoas reviravam latas de lixo para encontrar comida. E os judeus, grandes comerciantes, que dominavam a Imprensa, a Literatura, as Artes e o Teatro, vendo a situação, expunham suas mercadorias e se vangloriavam no escárnio do perdedor". É um solo mais do que fértil para qualquer ser humano que tenha um coração e ama seu povo, em especial aos jovens, proclamar e jurar uma cruel vingança. E foi o que fez. O próprio Thomas Mann, num dos ensaios políticos gravado e publicado durante o tempo em que esteve emigrado, reconhece esse amor, e chega a empregar os termos "Grandeza Histórica" e "Gênio" para descrevê-lo na defesa de uma nação arrasada e indignada. E isso acaba se explicando pelo contexto: sem a pessoa de Hitler nunca se teria chegado àquele auge de Poder ao qual a Alemanha e o mundo foram testemunhas. Não me venham os puritanos afirmando que isso não justifica, pois, em pleno século XXI a mídia convoca-nos a atacar e aniquilar o inimigo. Ela mesma define quem verdadeiramente faz parte do Eixo do Mal. Ou será que estou mentindo e ludibriando o leitor? Se os homens já não fazem a História, ou fazem-na muito menos do que o esperado, não podemos tolerar a idiotice de, obrigados, guardar na memória homens nefastos como estes. Portanto, leitor amigo, muito cuidado ao rotular alguém de "GRANDE". Evalcir Chagas

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