ÉDIPO É FANTOCHE NAS MÃOS DOS DEUSES POIS APENAS PAGOU POR UM CRIME DE SEU PAI, LAIO. E QUAL CRIME? RAPTOU CRISIPO, FILHO DE PENÉLOPE PARA SEU SEU AMANTE NO CASTELO.
COMO FOI AMALDIÇOADO, ÉDIPO MATOU O PAI E FICOU COM A MÃE, MESMO QUERENDO SAIR DE TODA FORMA DESSE CRIME.
HOMOSSEXUALIDADE JÁ ERA CONDENADA.
É importante mencionar que Édipo significa “pés inchados”. E para os gregos os pés simbolizavam a alma, os passos que você dá na vida. Édipo tem os pés inchados, dá passos orgulhosos na vida, tem alma volumosa, cheia de hybris. A atitude de Édipo é sempre de orgulho: mata Laio (seu pai) numa discussão sobre quem tinha direito a passar primeiro numa estrada (encruzilhada = símbolo de opção, e ele escolheu errado). Soberba é o pecado de Édipo.
É neste sentido que devemos interpretar a morte de seu pai e casamento com sua mãe. Pois no pecado da soberba Édipo está se afastando de Urano (matar o pai) e aproximando-se de Gaia (casar com a mãe), ou seja, afasta-se do Espírito e decai na Matéria.
Mas ele se arrepende, apesar de todos os atenuantes (não sabia quem era Laio e Jocasta), e assume integralmente sua culpa. Ao cegar-se, Édipo apaga as luzes externas para acender as luzes do seu interior (assim também fizeram Sansão, Paulo de Tarso, Conde Gloster de Rei Lear), ou seja, não há como compreender o mundo exterior sem a autoconsciência.
Este real e completo arrependimento (reconhecimento do erro e aceite das consequências) lhe valerá as honras divinas recebidas após sua morte na peça Édipo em Colono. Mesmo que enganado pelo destino, Édipo assume a culpa, transcendendo aquilo que se espera de um ser humano comum. É o primeiro herói humano da civilização ocidental.
A história de Édipo nos ensina a visão trágica do mundo onde estamos subordinados a condições que nos transcendem. Nosso destino não está em nossas mãos, pois podemos dar o melhor de nós e mesmo assim ver tudo dar errado. Esta é a real condição humana.
Mas o Humanismo nos retirou a humildade, matou o transcendente e reduziu o homem a ele próprio. A Tragédia foi substituída pelo Drama, no qual o homem é responsável por todo e qualquer malefício que lhe acontece. E isso só vai justificar a intromissão do Estado em todas as esferas humanas.
PS: A Trilogia Tebana (a ordem correta é Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona) não foi encenada como tal, mas sim agrupada posteriormente pela associação temática das três peças. A única trilogia que nos chegou inteira foi Oréstia de Ésquilo.
Diferentemente do que diz a Professora, Édipo é um completo “fantoche” nas mãos dos deuses. Pois apesar de todos seus intentos não evita a profecia, nem interrompe a maldição provocada pelo crime bestial de Laio (rapto de Crisipo – relação antinatural).
http://www.youtube.com/watch?v=Y1EtfbFDdEU
Um comentário:
Excelente texto. Nem tudo está ao nosso alcance e jugo, o reconhecimento da falibilidade humana e da dependência é um ato de sabedoria.
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