Um Grande Vazio
Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.
Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
Na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.
Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.
Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.
O jornal, sendo um dos mais importantes meios de comunicação, considerando-se questionáveis os demais meios como a Internet e a televisão, desenvolve e toma posições sobre os mais diversos assuntos. E as expõe, estas mesmas opiniões, à apreciação dos leitores, por meio de seus editoriais. Sua função é formar e, nessa lógica, deve ser essencialmente informativo. Não há necessidade de enaltecermos os requisitos mínimos de observância quanto à clareza, precisão, concisão e objetividade. Logo, não é de todo inconcebível a publicação de um poema ou qualquer outra demonstração semelhante de criatividade. Apenas não é recomendável. Porém, quando a necessidade se faz necessária, não há com fugir dessa responsabilidade.
Não sei se minhas razões são assim tão nobres (se é que tenho alguma razão!). Justifico argumentando que quem mais tem a ganhar com este quase despropósito, de tal publicação, é somente o leitor. Faz com que ele tenha um contato a mais com os clássicos de nossa literatura. Enaltece seu espírito. Educa. Forma. Parece pouco? E realmente o é. O leitor é exigente e os argumentos caem por terra. Mas, ouso nesse quesito. Não sem antes implorar pelo seu consentimento e paciência. Confesso, sou egoísta! Portanto, reservo-me no “direito” de supor que a publicação deste soneto se faz imprescindível.
Neste poema de Gregório de Matos temos uma perfeita ilustração de como é relativo o conceito de vazio. Saiba o leitor que não levarei em consideração qualquer conceito de minha vã/vazia filosofia (de vida?). Neste caso em questão, o soneto não consegue ser vazio. Ele compensa por seu estilo clássico, por sua beleza estética e pelo poder adquirido pelo autor. Logo, passa a existir uma extraordinária beleza no soneto, embora não diga realmente nada. Sua história é interessante. Ele está apenas “concebido”, sob encomenda, para agradar ao conde de Ericeira, D. Luís de Meneses, que, ao perceber as façanhas literárias desenvolvidas por Gregório, solicitou um soneto em seu louvor. Como o poeta barroco não encontrava nada que pudesse ser louvado no conde, usou o formato esvaziando-lhe o conteúdo. Exemplo de engenhosidade comum em grandes homens com o talento para a sátira. Não precisou desagradá-lo. Deduz-se, portanto, não fossem esses quesitos fantásticos, seria apenas algo dizendo nada e, tentando explicar coisa alguma.
Agora, mudando da água para o vinho. Por que escrevi estas mal traçadas linhas quase sem fundamento? Para entender/ decifrar um mistério. Mente perturbada como a de Píramo, o obscuro mundo dos penados servirá de abrigo caso a insanidade continue e me guiar. Há maiores mistérios que o caminho da águia no céu; o caminho da cobra na penha e o caminho do navio no meio do mar? Sim, existe! A classe política está à altura destes mistérios bíblicos. Apresentam-se enigmáticos como Dorian Gray. Escondem em algum lugar da casa a verdadeira face repugnante. Apresentam-se, porém, sorridentes, e não revelam seu pacto diabólico. Deixam de lado a nobre missão que lhes foi outorgada. Esquecem-se de que quem anseia um cargo público precisa saber democratizar esse caminho, para que cada vez mais os jovens sintam paixão pela política. Precisam ter a capacidade para entender as raízes sociais e, acima de tudo, trabalhar com naturalidade em meio a multiculturalidade. Serem capacitados e transmitirem essa capacitação. Não, necessariamente, se exige que sejam mestres na oratória, mas saber se comunicar com certa desenvoltura é o mínimo que se pode esperar de um representante público. Aprender a arte de questionar, o que somente é adquirida com um árduo esforço e conhecimento. O que, no seu desenvolver, ensina a integrar a subjetividade às razões psicológicas de um ato do semelhante. Enfim, repito, a missão é nobre. E nobre deveriam ser os que almejam a liderança.
Temos, nesse momento, aqui no sudoeste, um bom número de pessoas aspirando um cargo no Legislativo. Oh, mundo! Vasto mundo! Uma pergunta não quer calar: estão realmente habilitados/ capacitados para tão sublime missão? Ato dois. Quando alguém enaltece o fato de ser, no poder, uma renovada liderança, não está automaticamente desmoralizando seus antecessores? E, por conseguinte, não adquire para si o rótulo de único salvador?
Normalmente, em época de eleição, temos a figura do “Sangue-Novo”. Mas, os atuais políticos, que tanto desacreditamos, não foram um dia o tal Sangue-Novo? Este instrumento de mobilização já não é mais válido. Quem hoje se propõe a um cargo de representante público precisa se comprometer com a promoção do progresso. O povo quer ver competência. Quer ver oportunidades de trabalho, quer qualificação, segurança, educação, serviços sociais dignos, transporte, infra-estrutura...enfim, essas são algumas das prioridades que deveriam nortear uma campanha. Ademais, como pode sangue novo circular em “corpo doente”? A rejeição é a primeira das conseqüências. Logo, faz-se oportuno o momento para refletirmos sobre a célebre frase que aconselha que, em política, não há mais lugar para amadorismos.
Cony nos ensina que sempre devemos pedir por Júpiter quando necessitamos de sua aprovação em algo. Isso para não incomodarmos os demais deuses, que nada tem a ver com nossos problemas. Então, por Júpiter, senhores! Em hipótese alguma tenho a intenção de ser pretensioso. Analiso os fatos com total isenção. Júpiter é testemunho disso. Aliás, sempre fui um grande incentivador de lideranças daqui da região. Portanto, reconheço a inegável legitimidade de suas causas e apóio firmemente a grande mobilização para que sejam bem sucedidos nessa empreitada. E não por caridade, mas porque o Brasil depende dessas pessoas de boa índole. Atender às aspirações desses líderes, daqui mesmo, já passou a ser uma obrigação de todos.
Existe, então, mistérios ainda não desvendados? Sim! Mas, Eliot, talvez o único dos poetas do século XX que aumentará a lista dos grandes clássicos, é capaz de nos proporcionar algum conforto:
Que rumor é este? / O vento sob a porta. /
E que rumor é este agora? / Que anda o vento a fazer lá fora? /
Nada. Como sempre nada.
Como venta em nossas portas! Os rumores chegam a assustar-nos. Mas, mesmo que o vento se transforme em furacão, devemos estar cientes de que tudo isso é um grande nada.
Poetas fazem isso: sentem o que poucos conseguem sentir; choram como ninguém consegue chorar e, riem com uma alegria jamais vista no mundo. São deuses na arte de traduzir os sentimentos mais profundos presentes na alma humana. Sabem esperar, como ninguém mais, o momento exato para se apresentarem ao mundo. Clamo: por que Eliot têm respostas para tudo? Porque tudo é o nada. E o nada, é um grande tudo. Logo, é apenas miragem o que se apresenta como um grande vazio. Que fazer? –diria Lênin. Não sei! Sinceramente, não sei!
Evalcir Chagas
evalcir@msn.com
Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.
Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
Na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.
Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.
Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.
O jornal, sendo um dos mais importantes meios de comunicação, considerando-se questionáveis os demais meios como a Internet e a televisão, desenvolve e toma posições sobre os mais diversos assuntos. E as expõe, estas mesmas opiniões, à apreciação dos leitores, por meio de seus editoriais. Sua função é formar e, nessa lógica, deve ser essencialmente informativo. Não há necessidade de enaltecermos os requisitos mínimos de observância quanto à clareza, precisão, concisão e objetividade. Logo, não é de todo inconcebível a publicação de um poema ou qualquer outra demonstração semelhante de criatividade. Apenas não é recomendável. Porém, quando a necessidade se faz necessária, não há com fugir dessa responsabilidade.
Não sei se minhas razões são assim tão nobres (se é que tenho alguma razão!). Justifico argumentando que quem mais tem a ganhar com este quase despropósito, de tal publicação, é somente o leitor. Faz com que ele tenha um contato a mais com os clássicos de nossa literatura. Enaltece seu espírito. Educa. Forma. Parece pouco? E realmente o é. O leitor é exigente e os argumentos caem por terra. Mas, ouso nesse quesito. Não sem antes implorar pelo seu consentimento e paciência. Confesso, sou egoísta! Portanto, reservo-me no “direito” de supor que a publicação deste soneto se faz imprescindível.
Neste poema de Gregório de Matos temos uma perfeita ilustração de como é relativo o conceito de vazio. Saiba o leitor que não levarei em consideração qualquer conceito de minha vã/vazia filosofia (de vida?). Neste caso em questão, o soneto não consegue ser vazio. Ele compensa por seu estilo clássico, por sua beleza estética e pelo poder adquirido pelo autor. Logo, passa a existir uma extraordinária beleza no soneto, embora não diga realmente nada. Sua história é interessante. Ele está apenas “concebido”, sob encomenda, para agradar ao conde de Ericeira, D. Luís de Meneses, que, ao perceber as façanhas literárias desenvolvidas por Gregório, solicitou um soneto em seu louvor. Como o poeta barroco não encontrava nada que pudesse ser louvado no conde, usou o formato esvaziando-lhe o conteúdo. Exemplo de engenhosidade comum em grandes homens com o talento para a sátira. Não precisou desagradá-lo. Deduz-se, portanto, não fossem esses quesitos fantásticos, seria apenas algo dizendo nada e, tentando explicar coisa alguma.
Agora, mudando da água para o vinho. Por que escrevi estas mal traçadas linhas quase sem fundamento? Para entender/ decifrar um mistério. Mente perturbada como a de Píramo, o obscuro mundo dos penados servirá de abrigo caso a insanidade continue e me guiar. Há maiores mistérios que o caminho da águia no céu; o caminho da cobra na penha e o caminho do navio no meio do mar? Sim, existe! A classe política está à altura destes mistérios bíblicos. Apresentam-se enigmáticos como Dorian Gray. Escondem em algum lugar da casa a verdadeira face repugnante. Apresentam-se, porém, sorridentes, e não revelam seu pacto diabólico. Deixam de lado a nobre missão que lhes foi outorgada. Esquecem-se de que quem anseia um cargo público precisa saber democratizar esse caminho, para que cada vez mais os jovens sintam paixão pela política. Precisam ter a capacidade para entender as raízes sociais e, acima de tudo, trabalhar com naturalidade em meio a multiculturalidade. Serem capacitados e transmitirem essa capacitação. Não, necessariamente, se exige que sejam mestres na oratória, mas saber se comunicar com certa desenvoltura é o mínimo que se pode esperar de um representante público. Aprender a arte de questionar, o que somente é adquirida com um árduo esforço e conhecimento. O que, no seu desenvolver, ensina a integrar a subjetividade às razões psicológicas de um ato do semelhante. Enfim, repito, a missão é nobre. E nobre deveriam ser os que almejam a liderança.
Temos, nesse momento, aqui no sudoeste, um bom número de pessoas aspirando um cargo no Legislativo. Oh, mundo! Vasto mundo! Uma pergunta não quer calar: estão realmente habilitados/ capacitados para tão sublime missão? Ato dois. Quando alguém enaltece o fato de ser, no poder, uma renovada liderança, não está automaticamente desmoralizando seus antecessores? E, por conseguinte, não adquire para si o rótulo de único salvador?
Normalmente, em época de eleição, temos a figura do “Sangue-Novo”. Mas, os atuais políticos, que tanto desacreditamos, não foram um dia o tal Sangue-Novo? Este instrumento de mobilização já não é mais válido. Quem hoje se propõe a um cargo de representante público precisa se comprometer com a promoção do progresso. O povo quer ver competência. Quer ver oportunidades de trabalho, quer qualificação, segurança, educação, serviços sociais dignos, transporte, infra-estrutura...enfim, essas são algumas das prioridades que deveriam nortear uma campanha. Ademais, como pode sangue novo circular em “corpo doente”? A rejeição é a primeira das conseqüências. Logo, faz-se oportuno o momento para refletirmos sobre a célebre frase que aconselha que, em política, não há mais lugar para amadorismos.
Cony nos ensina que sempre devemos pedir por Júpiter quando necessitamos de sua aprovação em algo. Isso para não incomodarmos os demais deuses, que nada tem a ver com nossos problemas. Então, por Júpiter, senhores! Em hipótese alguma tenho a intenção de ser pretensioso. Analiso os fatos com total isenção. Júpiter é testemunho disso. Aliás, sempre fui um grande incentivador de lideranças daqui da região. Portanto, reconheço a inegável legitimidade de suas causas e apóio firmemente a grande mobilização para que sejam bem sucedidos nessa empreitada. E não por caridade, mas porque o Brasil depende dessas pessoas de boa índole. Atender às aspirações desses líderes, daqui mesmo, já passou a ser uma obrigação de todos.
Existe, então, mistérios ainda não desvendados? Sim! Mas, Eliot, talvez o único dos poetas do século XX que aumentará a lista dos grandes clássicos, é capaz de nos proporcionar algum conforto:
Que rumor é este? / O vento sob a porta. /
E que rumor é este agora? / Que anda o vento a fazer lá fora? /
Nada. Como sempre nada.
Como venta em nossas portas! Os rumores chegam a assustar-nos. Mas, mesmo que o vento se transforme em furacão, devemos estar cientes de que tudo isso é um grande nada.
Poetas fazem isso: sentem o que poucos conseguem sentir; choram como ninguém consegue chorar e, riem com uma alegria jamais vista no mundo. São deuses na arte de traduzir os sentimentos mais profundos presentes na alma humana. Sabem esperar, como ninguém mais, o momento exato para se apresentarem ao mundo. Clamo: por que Eliot têm respostas para tudo? Porque tudo é o nada. E o nada, é um grande tudo. Logo, é apenas miragem o que se apresenta como um grande vazio. Que fazer? –diria Lênin. Não sei! Sinceramente, não sei!
Evalcir Chagas
evalcir@msn.com
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