Abaixo, segue uma poesia feita no frescor da hora:
Canção Desesperada
De outro, és de outro!
Como imaginar?
Outrora a tive em meus braços,
tive também sua voz, seu corpo e seus olhos tão sombrios.
Desejei nao desejar,
Será que ainda a desejo?
Por ser curto o amor,
é longo o esquecimento.
Por serem curtas as noites,
lembranças de ti, oh Berenice, me atormentam:
estivestes outrora em meus braços!
Minha alma, que fora atordoada,
nao se cala em tê-la perdido.
Ou será que se cala?
Ainda que esta seja a última dor que carrego,
e estes os últimos versos que escrevo,
de outro, és de outro.
E serás sempre de outro!